Ilhas de céu | 2019

Chapa de compensado cru, tinta acrílica, linha chilena e alfinetes | 60cm x 40cm x 3cm [cada peça]

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Através da linha chilena, uma variação industrializada da tradicional linha de cerol, mais cortante e igualmente ilegal, passei a construir o que inicialmente chamei de mapas de céu, para desenhar o que em um mapa tradicional de uma cidade, de um tecido urbano, ou até mesmo uma imagem de satélite não mostram: o quanto pode ser cortante atravessar certas fronteiras aparentemente invisíveis dentro de uma cidade. Áreas mais pobres, dominadas pela violência, tráfico de drogas, carentes de infraestrutura, reféns da negligência dos governantes, ainda que estejam inseridas dentro da malha urbana, e não necessariamente localizadas em áreas periféricas, tornam-se territórios de tensão tanto para quem ali reside, quanto para quem reside em seu entorno. Há algo da categoria do “não dito” permeando estas bordas, como se a cidade formal, de alguma maneira, tentasse tornar estas áreas invisíveis. 

A partir do google earth passei a me apropriar de fotos de satélite de algumas destas áreas que conheço e que atravesso  ou permeio. Através do autocad, passei a desenhar seus contornos, considerando as zonas de tensão e não a cartografia urbana já estabelecida e a transferir estes desenhos para chapas de compensado cruas, onde simulo a representação gráfica de um mapa de céu/constelação. Com o uso de alfinetes e da linha comprada ilegalmente traço os desenhos sobre estas chapas, demarcando pelo céu, o que na terra não está explicitamente demarcado como fronteira. A linha chilena traz a informação de algo cortante, ilegal, ao mesmo tempo que, no ambiente urbano, normalmente é potencialmente “invisível”.

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Série em desenvolvimento.

Ilha de céu #1| 2019                                                                         Ilha de céu #2 | 2019

Exposição Meios e processos, FAMA - Fábrica de Arte Marcos Amaro, Itu - SP.  Fotos: Larissa Camnev