Espaços segregados | 2019 - 2020  

Compensado cru, tinta acrílica, linha chilena e alfinetes | ​ Ø31cm x 1,5cm [cada peça]​

[série em desenvolvimento]

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Lido com a linha chilena, a versão industrializada da linha de cerol, tão ilegal e ainda mais perigosa, para traçar fronteiras não demarcadas oficialmente, mas cortantes, que dividem e desenham territórios urbanos pelos quais meu corpo circula, permeia ou atravessa. Áreas pobres, reféns da negligência da sociedade, ainda que estejam inseridas dentro da malha urbana, e não necessariamente localizadas em áreas periféricas, tornam-se territórios de tensão. Há algo da categoria do “não dito” permeando estas bordas, como se a cidade formal, de alguma maneira, tentasse tornar estas áreas invisíveis.

A partir do google earth me aproprio de fotos de satélite destas áreas que conheço. Através do autocad, desenho seus contornos, considerando as zonas de tensão e não a cartografia urbana estabelecida. Transfiro os desenhos encontrados para chapas de compensado onde simulo a representação gráfica de um mapa de céu/constelação. Com o uso de alfinetes e da linha comprada ilegalmente refaço os desenhos sobre estas chapas. A linha chilena traz a informação do que é violento, ao mesmo tempo que, no ambiente urbano, é potencialmente invisível.